Críticas - Mostra Competitiva Internacional - Matheus Rufino
Wed, 17 aug


 

De maneira inédita, convidamos quatro alunos de diferentes universidades de São Paulo (Anhembi-Morumbi, ECA-USP, FAAP e Senac) a acompanhar a Mostra Competitiva Internacional e produzir reflexões críticas sobre o conjunto de filmes. Quatro textos com visões, gostos e opiniões diferentes, enriquecendo o debate já tradicional dentro do Festival Brasileiro de Cinema Universitário.


 

CEFALÉIA


Partindo do cinema enquanto “forma de reprodução do pensamento” (Resnais), acredito que os curtas-metragens exibidos na Mostra Competitiva Internacional do 16º Festival Brasileiro de Cinema Universitário revelam de alguma forma esse processo de “registro” de pensamento de cada um de seus respectivos realizadores. Sendo esses estudantes de escolas de cinema na efetivação de seus trabalhos de conclusão curso, penso de que modo então esses trabalhos-filmes, expressões de “mecanismos de pensar”, sejam um reflexo da experiência obtida por esses alunos durante o aprendizado no curso, expandindo a questão à problematização de que tipo de influência, limites e tendências, os processos de formação utilizados pelas diversas escolas ao redor do mundo estão exercendo sobre a produção desses realizadores de “primeiros-filmes”.    

Filmes de ficção, dramas, bastante voltados ainda a uma preocupação com o desenvolvimento narrativo (o querer contar uma história). Sintomática não só do peso histórico-cultural exercido pela hegemonia dessa tradição literária, mas também pela ausência de estudos e discussões acerca de uma linguagem específica de curta-metragem (raríssimos são os curtas exibidos e discutidos academicamente, com exceção de Ilha das Flores). Histórias que na maioria desses casos tornam-se não mais que muletas às tentativas de “experimentação” por parte dos diretores, legitimadas por sua boa ação moral ao “estarem articulando uma denúncia social”, ou “mostrando às pessoas a realidade dura de alguém”. Experimentação não sentido da alcunha “experimental” dada a alguns filmes que se propõem à pesquisa na articulação do aparato cinematográfico a partir de vertentes ainda pouco exploradas, e sim por ser o momento em que esses realizadores efetivamente têm a oportunidade de experimentar, de pôr em prática todos os conceitos e conhecimentos estéticos e técnicos estudados no papel em sala de aula.

Dessa premissa determinista emergem algumas tendências dessa produção. Melhor. Antes disso, é bom relembrar que dificilmente essas obras nascem organicamente, no sentido de que muitas vezes o que acontece é que esse alunos estão em processo de formação e por isso “se vêem obrigados” a fazer um filme como Trabalho de Conclusão de Curso. E uma das principais questões nesse momento é que um filme exige que eles se “expressem” mesmo sem ter, às vezes, uma vontade natural de dizer algo, ou mesmo uma opinião formada sobre determinado tema.  Pôr em cena os conhecimentos adquiridos ao longo do curso torna-se, assim, um atrativo mais interessante e, portanto, a estratégia mais recorrente na maioria desses trabalhos.

Às tendências. À frente das câmeras, “seres, na maioria das vezes, apáticos, mórbidos, tristes, ensimesmados” – Isabella Lourençon Vidal (colega do Senac que também escreveu para o festival) – sendo que eu acrescentaria à lista: desolados, sufocados, ‘bullyinizados’, distantes, solitários, exaustos, confusos, desajustados, paranóicos, incompreendidos, reprimidos, perdidos, deslocados e tristes mais uma vez. Atrás das câmeras, um olhar observacional, de situações, herdeiro do moderno e do documentário, que preza menos pelas relações de causalidade entre as ações que impulsionariam o desenvolvimento das narrativas, como consolidado pelo cinema clássico americano e presente em alguns filmes da mostra (principalmente nos de crianças), e mais pelo registro do banal, presente na simplicidade das ações cotidianas, e pelo quão revelador elas podem ser em seus pormenores. Composição geométrica de quadro escancaradamente pensada, bem como o esgarçar do tempo na duração de todas essas situações, trazem consigo um nível de significação tão grande a todo esse tratamento discursivo da imagem que, se alguns momentos criam verdadeiros quadros, com toda potência imagética que pode estar implícita nisso, em outros encerram no suicídio estético, pra não dizer masturbação visual (sem o sucesso do orgasmo é claro).

A manipulação discursiva por parte destes realizadores tende a se sobrepor às situações e às personagens, impedindo que essas revelem qualquer tipo de individualidade que poderia acrescentar em muito à humanização e problematização de seus conflitos e realidades. E se me refiro com exclusividade só à dimensão imagética desses filmes, ignorando a esfera sonora, é porque acho que os diretores entraram em comum acordo que essa incomunicabilidade toda que envolve os personagens e conseqüentemente os filmes deveria ser retratada através da ausência de diálogos. Pessoalmente não tive problema algum com as legendas dos filmes (apesar do meu péssimo inglês) porque ninguém fala nos filmes. Também é fato que uma vez que (não só a nível de universidade, mas mundialmente pensando) são raros os casos em que a utilização do som se presta a ser algo além do que reiteração e ilustração da imagem, podemos enxergar essa opção como incompetência minha (também universitário e, portanto, não imune a todo esse hipotético determinismo). Ainda bastante condicionado visualmente durante a análise dos filmes, poderia ter deixado passar bastante coisa me atendo às imagens.    

De qualquer forma, aproveitando a questão da incomunicabilidade, podem argumentar que, pelo contrário, eximir a personagem de um conjunto de ações mais idiossincráticas e tentar construir o seu universo de fato através de todo esse formalismo estético seja a maneira pela qual os realizadores encontraram pra retratar sua insignificância (a do personagem, que não diz nada, não reage) perante o mundo, sendo necessário o olhar externo do diretor para psicologizá-la. E eu retrucarei dizendo que em filmes como Eloisa, de Ramiro Diaz (Argentina), הירידה (A Descida), de Shai Miedzinski (Israel) e Cagey Tigers, de Lucie Boksteflova Aramisova (República Tcheca), os melhores filmes ficcionais da Mostra e que exemplificam bem toda essa questão da mettre en scène, têm seus melhores momentos na masturbação da empregada, no choro do pai no carro e nas conversas entre as garotas no vagão do trem, que são justamente os momentos em que os realizadores deixam toda essa carga estética de lado e postam a câmera diante dessas personagens como verdadeiros intrusos, voyeurs (porém evitando a espetacularização), invadindo suas intimidades, mas dando espaço para que elas próprias digam o que estão sentindo, ainda que não em palavras, mas na forma de choros que tentam se esconder por vergonha, ou do toque penetrativo que expurga todo o peso do mundo.

O outro destaque da Mostra recai sobre os documentários, que revelam uma maturidade impressionante quando da comparação com os filmes de ficção, apesar de bem distintos entre si. Miten Marjoja Poimitaan (Como Colher Cerejas), de Elina Talvensaari (Finlândia) problematiza as fraquezas e deturpações de uma economia global, dando voz às confusas e fragmentadas opiniões dos finlandeses sobre alguns catadores tailandeses da região, que surgem como seres místicos em meio à neblina pantaneira. Sarah Cunningham (França) nos rende situações bastante interessantes em Like Love, ao invadir a vida do casal, que se refugia na arte e na metafísica, e capta à espreita momentos em que toda a revolta do rapaz contra seu acidente e conseqüente desgraça revelam toda a exposição de um ser. Ao abrir mão daquele “pôr em cena”, tão caros a alguns dos curtas de ficção, a diretora abre olhos e ouvidos ao que esse casal tem a mostrar. Auto-mise-en-scène que revela o amor como motor na luta de tudo. Amor que surge como um enorme desafio descontruído em Die Frau Des Fotografen (A Esposa do Fotógrafo), de Karsten Krause e Philip Widmann (Alemanha). Filme que, imagem, tenta recompor as recordações da senhora Gerti sobre seu marido, que, no desejo de imortalizar através da imagem a vida e o amor do casal, fotografou-a por mais de 40 anos. Arquivo, sonho, efemeridade, vida, amor, realidade e solidão se chocam e pulsam das fotos de Eugen, cuja modelo subverte toda relação de poder estabelecida pela câmera, revelando que a prova de amor pode não estar somente na fascinação do voyeur, mas também na exposição do objeto de desejo.       

Completam a Mostra alguns outros filmes pautados pela lógica determinista das tendências explicitada anteriormente. Uma delas diz respeito à enorme necessidade que os realizadores sentem, após longos semestres de estudos sobre história do cinema, em carregar seus filmes de referências a grandes cineastas consagrados pelos seus estilos de filmar. E isso tem se tornado um problema tão presente que os diretores parecem perder a sensibilidade necessária para enxergar o que de realmente interessante há naquilo em que eles estão filmando, cegos pela tentativa de imitação, citação, abrazyleiramento, reprodução de convenções totalmente estrangeiras à individualidade de seus filmes. É o caso de Contagem, de Gabriel e Maurilio Martins (Brasil), que esqueceram onde residia a genialidade de Fantamas (filme premiado na última edição do festival), e tentaram aTarantinar a história de um parricídio na cidade mineira, através de uma construção forjada e nada orgânica dos elementos característicos das narrativas do diretor americano.

Por fim, como não poderia faltar no hall de toda produção universitária, temos os filmes de crianças. Um deles adere à nova corrente hollywoodiana, que se diz mais inteligente, na utilização do que se vêem denominando narrativas complexas, histórias com verdadeiros quebra-cabeças, envoltas por certo mistério e por questões “em aberto”, cujo filme inteiro serve senão para que no fim o espectador fique espantado com a inteligência e capacidade de manipulação do diretor, e para que o diretor fique espantado com a inteligência e capacidade de manipulação dele mesmo. Outro filme pretende ao subjetivo e ao sensorial, transformando a criança protagonista num ser místico, desentendido consigo diante das mudanças as quais se vê defronte e não sabe explicar. E como a personagem não sabe explicar, cabe ao realizador promover uma enchente de metáforas visuais que em tese revelariam todo o conflito interior dessa criança. Mundos maravilhosos (ainda que um deles se passe na Segunda Guerra Mundial), e crianças encantadoras que, de algum modo, órfãs, se vêem obrigadas a amadurecer antes da hora, puxando Freud e assumindo a posição do adulto ausente dentro da família, com todo o peso que isso acarreta, compõem a história dos dois últimos filmes-fábulas-morais do repertório infantil. Os filmes parecem retirados de manuais de cinema, com direito a todas as regras de gramática de roteiro e direção conhecidas, com todos os estereótipos e ausência de problematização que lhe são devidos. O resultado é que você entende tudo o que filme é e tem a dizer desde o primeiro segundo de projeção, tamanho o desgaste dos recursos utilizados. Um espectador culturalmente condicionado a gostar e exigir esse tipo de filme talvez se comova com a dura e triste realidade dessas doces criancinhas, obrigadas a abandonar a inocência antes da hora em troca da maturidade e das responsabilidades adultas.

A guerra é triste. Só não é mais triste do que o histórico de universitários que optam por historinhas assim como ponto de partida à “efetuação de uma auto-avaliação que contemple a diversidade dos mais variados aspectos que constituíram suas respectivas formações universitárias ao longo de anos, colaborando também com a comunidade científica ao se proporem investigar uma área do curso que ainda possuí muitas coisas a serem descobertas”, vulgo TCCs. Eu prefiro acreditar que a escolha das crianças esteja muito mais ligada “à persistência da busca pela imagem ontológica de Bazin, baseado na inocente crença de que crianças e animais não têm discernimento suficiente para mentir diante câmera (vide o sucesso de vídeos de bebês e gatos no youtube)”, e não porque a pseudo-inocência de crianças, ainda não corrompidas, tão belas, puras e blá blá blá seja uma apelação emotiva covarde, porém extremamente eficiente no processo de identificação para com o espectador-condicionado-vítima. Por outro lado, quando diante de cursos de cinema que cada vez mais embasados pela forte idéia de servir como uma preparação e passaporte à inserção desses graduandos ao mercado de trabalho, sendo esse, por sua vez, movimentado comercialmente por aquele público que gosta, exige e chora com esse tipo de filme, a escolha adotada por esses jovens realizadores torna-se de uma coerência repugnantemente compreensível.

Parabéns e obrigado à organização do Festival e ao pessoal do Cinusp pelo esforço em trazer essa mostra aqui pra São Paulo. Uma pena que, do mesmo modo que tem se repetido na maioria dos eventos, mostras, palestras, debates e festivais que acontecem por aqui, a sala esteve bem vazia, sendo que o número de professores ou pessoas da organização fora sempre superior ao de estudantes de cinema.

 

Matheus Rufino  

 

 




Críticas - Mostra Competitiva Internacional - Pedro Américo
Mon, 15 aug


De maneira inédita, convidamos quatro alunos de diferentes universidades de São Paulo (Anhembi-Morumbi, ECA-USP, FAAP e Senac) a acompanhar a Mostra Competitiva Internacional e produzir reflexões críticas sobre o conjunto de filmes. Quatro textos com visões, gostos e opiniões diferentes, enriquecendo o debate já tradicional dentro do Festival Brasileiro de Cinema Universitário.

 

O Cinema Como Algo Maior


Em seus melhores momentos, esta edição do FBCU, em sua Mostra Competitiva Internacional, foi capaz de trazer ao público uma miríade de confrontações – estéticas, morais, sociais – com o mundo, com o Outro, e com os nossos tempos. A diversidade temática e formal dos curta-metragens apresentados demonstrou uma multiplicidade de posturas cinematográficas, mas também desvelou um esforço  constante de comprometimento com a representação no Cinema. São filmes feitos por jovens cineastas, estudantes universitários, que se desdobram para olhar a vida e o mundo com acuidade e honestidade. É claro, vale ressaltar, que pela natureza de filmes universitários, muitas das vezes estes curtas tropeçam em excessos visuais, vícios estéticos, atrofia de discurso e uma angústia por querer tudo ao mesmo tempo. É compreensível, pois somos estudantes, estamos nos atirando no mundo, ansiosos pela resposta do público, procurando uma direção em tempos bastante confusos.

Estes tempos difíceis, este mundo louco e contraditório, aliás, parece ser, no fundo, o objeto que todos os curtas tentam representar, cada um a sua maneira. Representá-lo e encará-lo, denunciando a estranheza e mediocridade como regra que assola as sociedades atuais. Os curtas do FBCU trouxeram à tona a estranheza de uma existência opressiva, destituída de humanidade, egocêntrica, decadente. Porém, souberam também extrair desta pedra bruta e violenta o respiro poético, aquele que nos permite dar mais um passo, seguir em frente. Alguns dos filmes mais instigantes foram aqueles capazes de elaborar esteticamente o gosto doce-amargo da humanidade, sem cair em extremismos simplistas. E fizeram isso com extensa elaboração estética, explorando a correspondência de conteúdo e forma em sua potência. Aqui seguem breves comentários sobre alguns filmes que se destacaram no festival.

O curta argentino Eloisa, de Ramiro Diaz é um exemplo. Para mostrar a concretude do cotidiano de uma faxineira e empregada doméstica, a sequidão e a economia de recursos visuais são levadas ao limite; simplicidade usada para mostrar todo um mundo particular e universal a uma só vez. O filme congrega na sua sintaxe visual e mise-en-scène as contradições sociais, o desconforto das relações sociais de trabalho e status quo aos quais Eloisa é submetida. Mas em sua cena final, o filme torna-se mais do que um retrato social. Seu ato final mistura ternura, confere humanidade à personagem justamente por trazer poesia à sequidão até então mostrada assim como realça e reafirma o comentário que pretende fazer. O final do filme é, pois, um grito de liberdade, a ação dramática da personagem em toda a sua potência simbólica.

As grandes indagações misturadas ao concreto da vida humana em toda a sua trivialidade é representado com exatidão no finlandês Miten Marjoja Poimitaan, de Elina Talvensaari. Neste filme, a estratégia do microcosmo é utilizada para abordar uma situação ampla e geral. Ele dá conta de muitos temas – as relações econômicas, os conflitos sociais, a decadência, o confronto de idéias – buscando beleza nos objetos representados e documentados, mas sem negar a gravidade dos assuntos abordados. Foge dos moldes tradicionais de documentário, além de revelar concisão e densidade através de imagens que evocam não só a situação retratada – os colhedores de cerejas domésticos e estrangeiros e a desconfiança entre eles – como traz à tona uma atmosfera insólita, onírica, cinematográfica. Um documentário que é mais que um documentário, é um poema sobre a mente finlandesa e sobre o ser humano.

Em The Agony And Sweat Of The Human Spirit, de Joe Bookman, as dores da existência são tratadas com delicadeza surpreendente, mas sem condescendência. O tom tragicômico é combinado com a intenção (alcançada) de se distanciar do tom superficial das comédias atuais assim como dos dramas excessivos. Assim, acompanhamos a relação estranha, porém familiar deste músico calado e seu empresário inclinado a digressões verbais. Com o uso intenso de diálogos, algo raro nos filmes desta mostra, o curta norte-americano é muito bem sucedido em uma mise-en-scène que mistura momentos de impessoalidade e momentos de extrema humanidade.

Já em Farewell Facebook, de Joep van Osch, a estranheza da existência é trabalhada a partir de uma investigação sobre o Facebook e as relações que uma rede social institui, um tema atualíssimo. Ao brincar e testar a estrutura do documentário, mas sem exageros, este filme holandês expõe as indagações típicas de um mundo digital, dominado pelas redes sociais, colocando em xeque os dilemas sociais do mundo virtual, as novas “regras de etiqueta” e os novos códigos de conduta. Assim, o filme escancara certas situações como em uma comédia do absurdo, ao passo que também explora transformações comportamentais do mundo da Internet, com um leve toque amargo de quem detecta o absurdo de tudo e se sente incomodado com a estupidez generalizada.

A dor, a solidão, o luto, a superação. Em Rousek, de Tomás Klein, o realizador jovem olha para a perspectiva de morte e finitude dos mais velhos. O filme da República Tcheca se constrói como um retrato duro e suave do ritual particular de encarar a morte ao contar a história do Senhor Rousek. Tudo ocorre rapidamente, não passa de um dia, mas o filme abrange um mundo de sentimentos e emoções através de um cuidado com a estruturação de cada gesto e olhar, de cada ação dramática que emana tensão e significado, tudo balanceado com noção de ritmo e carinho com os personagens.

O francês Jours de Colère, de Charles Redon, assim como Eloisa, se realiza a partir do cotidiano representado com rigor visual. Há forte comprometimento com a mise-en-scène como concretização formal, isto é, elaboração estética de um comentário social, confiando na imagem como veículo do discurso (este emana da imagem, assim o filme não resulta em proselitismo), resultando em um curta em que forma e conteúdo se fundem. Assim, o filme é um panorama urgente, incisivo, tenso e contundente da questão do imigrante ilegal na Europa – mas consegue, ao mesmo tempo, ultrapassar o comentário de cunho social, transcendendo-o através do desenrolar da ação e da atitude de seu personagem. Portanto, nada mais emblemático de uma geração do que Léopold, o protagonista, o imigrante ilegal, escalando uma árvore ofegante e desesperado por liberdade. Em seu desenrolar, o filme é um manifesto do espírito humano e não uma constatação social; ele é sobre a busca por autonomia, dignidade e fuga da opressão.

Os filmes aqui comentados são uma amostra de que discursos e ideias podem e devem ser expressos formalmente e que a concisão natural do curta-metragem pode se tornar um suporte notável para a manifestação densa e profunda de problemáticas do homem contemporâneo. São filmes que criam universos particulares, específicos, identificáveis em suas nacionalidades, mas, ainda assim, capazes de suscitar universalidade, como toda obre de arte deve almejar. São filmes jovens em sua construção estética, podem ser criticados por diversos ângulos, no entanto, não deixam de trazer angústia e paixão pelos temas tratados. Por fim, são filmes cujos realizadores perceberam que não basta o discurso colocado sobre formas cinematográficas comuns e insípidas. Para fazer valer a ruptura, o desejo de mudança e demonstrar uma verdadeira postura de engajamento diante das aflições e dores do homem – sejam elas existenciais, econômicas, culturais, sociais ou afetivas – a mudança começa na postura estética do Cinema que devemos fazer. Pois o Cinema é Arte e esta só sobrevive produzindo a exceção à regra, demonstrando capacidade de escapar e transgredir os modelos estabelecidos, de romper criticamente com as formas estéticas balizadoras do pensamento e voltando nosso olhar para a Vida, seja com pessimismo ou otimismo. O panorama do cinema universitário mundial apresentado pelo 16o FBCU demonstra que nossa geração, mesmo que ainda hesitante, pode contribuir expressivamente para a finalidade maior da Arte.

 

Por Pedro Américo

 

 




Críticas - Mostra Competitiva Internacional - Guilherme Farkas
Mon, 15 aug


De maneira inédita, convidamos quatro alunos de diferentes universidades de São Paulo (Anhembi-Morumbi, ECA-USP, FAAP e Senac) a acompanhar a Mostra Competitiva Internacional e produzir reflexões críticas sobre o conjunto de filmes. Quatro textos com visões, gostos e opiniões diferentes, enriquecendo o debate já tradicional dentro do Festival Brasileiro de Cinema Universitário.

 


Um misto de urgência e angústia.


A produção de curtas-metragens brasileiros e internacionais compartilha, em graus variados de intensidade, da mesma sensação e aproximação com o ‘mundo vivido’ (o que alguns teóricos da produção documental substituem pelo termo 'realidade', que filosoficamente nos traz grandes complicações).

Se existe hoje alguma tendência estética e/ou temática na realização do filme de curta duração, o 16º Festival Brasileiro de Cinema Universitário com certeza nos aproximou dela. A formação e o estudo de cinema se constrói de forma heterogênea. Intersecções se tornam o mote principal e grande leitmotiv que mobiliza estudantes de diversos locais do mundo a fazer cinema. De onde vem essa vontade? De que trata e de onde surge esse inconsciente coletivo? As respostas a essas perguntas puderam ser rascunhadas durantes as instigantes sessões que  tive o prazer de assistir no Cinusp Paulo Emílio.

A princípio tais filmes nos remetem a experimentações estéticas, porém se analisados isoladamente é possível a identificação de certos traços marcantes na aproximação de questões como imigração, trabalho escravo, morte, gêneros e até mesmo um curioso casal que se relaciona de forma tímida e inocente em um trem na República Tcheca. É claro que não estamos falando aqui de um grupo sólido e restrito de filmes, visto que a Mostra Competitiva Internacional é formado por 30 curtas-metragens. Dentre esses 30 filmes, alguns são mais representativos que outros, como é o caso do francês "Jours De Colére" (Dias de Cólera) de Charles Redon, que trata da questão da imigração e o também interessante alemão "Der Brief" (A Carta) de Doroteya Droumeva que nos apresenta uma temática bastante pessoal sobre gravidez e aborto.

O diálogo no cinema estudantil é sempre um tabu, muitas vezes significa o enterro do filme. Mas em “The Agony And Sweat Of The Human Spirit”, de Joe Bookman e D. Jesse Damazo, essa opção dramática foi muito bem explorada com diálogos rápidos e ácidos. Diz-se muito, do ponto de vista do som no cinema, que a opção pelo diálogo anula alguns outros recursos narrativos do som, esvaziando seu potencial e construindo narrativas pautadas em cima de atores e diálogos muitas vezes mal executados. Felizmente não é o caso desse filme da Universidade de Iowa, mas pode ser pensando em outros casos, especialmente na produção universitária brasileira (posso dizer pela produção de curtas da Anhembi Morumbi e a baixa qualidade dos diálogos).

Outra questão que me chamou bastante atenção é a realização de filmes que, contrariamente a construção de longas-metragens, consegue se constituir propriamente como um curta-metragem. Parece-me útil lembrar aqui de como o curta-metragem brasileiro sofreu radicais transformações no ano de 1987 e no período de melhor funcionamento da “Lei do Curta”, que ficou conhecido como a ‘Primevera do curta’. Essa data é marcada pelo início de profundas transformações na linguagem do curta-metragem que marcou um nova forma de encarar e produzir o filme de curta duração. Digo que sinto em curtas-metragens brasileiros de hoje um herança de linguagem no que foi produzido na segunda metade da década de 1980. Um curta-metragem que se pensa como uma linguagem que lhe é própria, e não um “achatamento” do longa-metragem. Reconheço ainda que o filme de curta-metragem acaba se tornando, no Brasil e no mundo, uma espécie de cartão de visita para a possível realização de um longa. É claro que por ser de mais fácil acesso economicamente, tal formato se aproxima de estudantes e diretores de primeira viagem.  Não seria saudável encará-lo apenas como uma forma de acesso ao longa, o filme de curta duração é outro orgão, com ligações e funcionamentos altamente complexos e que se mantém ainda hoje inexplorados.

O que para mim ficou muito nítido com a programação do 16º FBCU é a clara falta de comunicação entre as diferentes escolas de cinema e audiovisual brasileiras. São sempre iniciativas externas (também interessantes) que ligam os estudantes, mas nunca são eles mesmos que decidem promover ações de fortalecimento e difusão de suas obras. Me parece que existe uma certa richa, que claro cria uma competição saudável, mas que muitas vezes faz com que continue a se produzir filmes assistidos por pequenos grupos de amigos que nunca chegam a dialogar com outras escolas de cinema. A não ser o louvado trabalho dos festivais de cinema que exibem o formato de curta-metragem, o estudante de cinema parece embriagado pela sua reificação erudita, herança autoral, que muitas vezes revela traços burgueses de isolamento artístico. É preciso uma maior atenção aos problemas que o cinema brasileiro, incluo aqui também o cinema não estudantil, sofre e uma reflexão sobre possíveis estratégias de ação. Nada mais natural e saudável que essa problemática seja introduzida ainda na escola, através de uma disciplina voltada a programação de festivais, curadoria, produção, enfim, uma política do cinema estudantil. Que esse belíssimo trabalho realizado pela equipe do FBCU sirva de exemplo para nós, estudantes de cinema.

 

Guilherme Farkas

São Paulo, agosto de 2011

 

 




Críticas - Mostra Competitiva Internacional - Isabella Lourençon Vidal
Sun, 14 aug


De maneira inédita, convidamos quatro alunos de diferentes universidades de São Paulo (Anhembi-Morumbi, ECA-USP, FAAP e Senac) a acompanhar a Mostra Competitiva Internacional e produzir reflexões críticas sobre o conjunto de filmes. Quatro textos com visões, gostos e opiniões diferentes, enriquecendo o debate já tradicional dentro do Festival Brasileiro de Cinema Universitário.

 

 

Nosso tempo

 
“Eu não consigo me ver, então como eu poderia ver você?” esta frase dita por Maja, personagem principal do filme Die Brief, de Doroteya Droumeva, é muito sintomática das relações que figuram nos curtas metragens presentes na mostra competitiva internacional do Festival Brasileiro de Cinema Universitário.

Em parte dos filmes, a narrativa se concentra em uma personagem, a acompanha e revela um mundo subjetivo, pois mediado pelas questões, ações e sensações daquela que observamos. Em muitos deles a narrativa se coloca “ao lado” destas subjetividades, e por mais que as acompanhe, não é afetada por suas emoções, em outros, porém, é contagiada por elas, emoções estampadas nas imagens e sons.

Filmes centrados em um “eu”, seres totalmente individualizados, com suas ações cotidianas específicas, suas questões particulares, seus mundinhos fechados.  Personalizar, porque para ser mesmo é necessário ser diferente, seja no jeito desajustado das personagens de Gömböc, de Ulrike Vahl, como o menino que usa a máscara de Darth Vader e acredita ser o personagem, ou fazer algo incomum como o menino de Pig, de Tom McKeith, que mata um porco do mato como forma de se aproximar e consolar sua mãe.

Personagens isolados em suas subjetividades peculiares, presos em suas questões, não conseguem dialogar com o mundo a sua volta, seja por eles mesmo, seja pelo próprio mundo...ou ambos. Deslocados dentro de suas realidades, com problemas em seu entorno, uma morte, uma gravidez ou por um constante e próprio, como o nome do filme brasileiro revela, “Descompasso” com o mundo, como dialogar? Como enxergar o outro quando a realização pessoal, o respeito às subjetividades em detrimento da coletividade, próprio da ideologia individualista, é o que mais ou só importa?

Seres, na maioria das vezes, apáticos, tristes, ensimesmados. No filme Shelley, de Andrew Wesman, a protagonista de mesmo nome, na falta de comunicação com os pais, os quais, aliás, jamais aparecem como imagem no filme, mas apenas como vozes, vozes gritadas, acaba matando para resolver seu problema. Um ato calmo, quase que corriqueiro e sem tons trágicos. Horas após a ação, come uma torta de frutas vermelhas... A morbidez nas ações.

Ao mesmo tempo em que os filmes se aproximam da vida cotidiana ao retratarem as “pequenas” ações de suas personagens como o preparar de uma refeição, tomar um copo de leite ou o caminhar, eles se afastam desse comum do dia a dia não só pelas peculiaridades de seus personagens e de suas ações no mundo, como já foi dito, mas, principalmente, por proporcionar algo que nos dias de hoje quase inexiste: os filmes nos fazem observar um outro e dão tempo para que esse outro seja mostrado. O que se descobre sobre este outro é pelo simples olhar a vida, sem a necessidade de explicações. Mais diz o que é comum, do que o extraordinário. Planos longos de um olhar, um choro, um hesitar, uma espera.  O que seria talvez um tempo morto, a não ação, o não desenvolvimento de uma história, é o que mais de revelador temos na tela.

A apatia e a morbidez das ações e dos olhares, o silêncio das vozes, a violência como resposta à falta de diálogo. Nosso tempo retratado.


Isabella Lourençon Vidal

 




Prêmios da Mostra Competitiva Internacional do 16° Festival Brasileiro de Cinema Universitário * AWARDS OF THE INTERNATIONAL COMPETITION 2011
Wed, 10 aug


Awards of the International Competition 2011
Prêmios da Mostra Competitiva Nacional 2011


 

RETRATO DA REALIDADE NACIONAL
PORTRAIT OF NATIONAL REALITY

MITEN MARJOJA POIMITAAN (COMO COLHER CEREJAS/HOW TO PICK BERRIES), de/by Elina Talvensaari, Aalto-yliopisto Taideteollinen korkeakolu (ELO), Finlândia/Finland

Imagens esplêndidas, borrando as fronteira entre ficção e documentário, descrevem com fina ironia complexas relações globais entre culturas distantes, tornando um fenômeno bastante específico e peculiar algo universal.

Stunning images, blurring the boundaries between fiction and documentary, depict with fine irony global complex relations between distant cultures, turning a very specific and peculiar phenomenon into something universal.

PESQUISA DE LINGUAGEM
FILM LANGUAGE RESEARCH

DIE FRAU DES FOTOGRAFEN (A ESPOSA DO FOTÓGRAFO/THE PHOTOGRAPHER'S WIFE), de/by Karsten Krause & Philip Widmann, Hochschule für bildende Künste (HfbK), Alemanha/Germany

O filme busca adaptar sua própria linguagem a um material de arquivo particular, por vezes concentrando-se na mulher retratada, por outras na memória estruturada de seu marido, através de seus diários e fotos, coletadas ao longo de décadas, mesclando diferentes camadas de realidade.

The film attempts to fit its own language to a private archival material, sometimes focusing on the woman portrayed, sometimes on her husband’s structured memory, through his diaries and photos, collected over decades, by melting together different layers of reality.

EXPRESSÃO CULTURAL
CULTURAL EXPRESSION

FAREWELL FACEBOOK (ADEUS FACEBOOK), de/by Joep van Osch, Nederlandse Film en Televisie Academie (NFTA), Holanda/The Netherlands

Ao confrontar dois tipo de realidade, o filme destaca, com enorme dose de sarcasmo, a superficialidade e o absurdo das relações virtuais no Facebook.

By confronting two different realities, the film points out, with a big dose of sarcasm, the superficiality and absurdity of virtual relationships on Facebook.

EXPRESSÃO POÉTICA
POETIC EXPRESSION

ELOISA, de/by Ramiro Díaz, FUC-Universidad del Cine, Argentina

De maneira bastante poética, direta e econômica, o filme consegue revelar a solidão de uma mulher oprimida pela rotina (e pelos abusos) de um trabalho árduo.

In a very poetic, direct and economic way, the film succeeds in revealing the loneliness of a hard-working woman oppressed by her daily routine.

CONSTRUÇÃO NARRATIVA
NARRATIVE CONSTRUCTION

ДОТЯНУТЬСЯ ДО МАМЫ (REACHING OUT TO MAMA), de/by Olga Tomenko, Vsesoyouznij Gozoudarstvennij Institut Kinematografii (VGIK), Rússia/Russia

Com extrema habilidade, o filme adota o ponto de vista de uma garotinha para criar uma fábula moral familiar que envolve o confronto entre pesadelos infantis e uma dura realidade.

With extreme ability, the film adopts the point of view of a young girl in order to create a moral domestic fable, involving the confrontation between childhood nightmares and a harsh reality.

CONTRIBUIÇÃO ARTÍSTICA
ARTISTIC CONTRIBUTION

הירידה (A DESCIDA/THE DESCENT), de/by Shai Miedzinski, Sam Spiegel Film & Television School Jerusalem, Israel

Numa paisagem árida e desértica, a improvável busca de uma pedra torna-se uma espécie de “máscara” para uma tragédia familiar (e nacional).

In an arid, desertic landscape, the impossible search for a rock becomes a sort of “mask”, for a family (national) tragedy.

CONTRIBUIÇÃO TÉCNICA
TECHNICAL CONTRIBUTION

JOURS DE COLÈRE (DIAS DE CÓLERA/DAYS OF WRATH), de/by Charles Redon, La Fémis, França/France

A mise-en-scène sólida e madura traduz a perigosa sobrevivência de um clandestino que, literalmente, deve escalar por sua vida.

The solid and mature mise en scène translates the dangerous survival of a clandestine man, literally climbing up for his life.

MENÇÃO HONROSA
HONOURABLE MENTION

CAGEY TIGERS, de/by Aramisova, Filmová a Televizní Fakulta Akademie Muickych Umìní v Praze (FAMU), República Tcheca/Czech Republic

Pelo frescor da atuação e do estilo.

For its freshness in acting and style.

 

PRÊMIO DO PÚBLICO

AUDIENCE AWARD


ДОТЯНУТЬСЯ ДО МАМЫ (REACHING OUT TO MAMA), de/by Olga Tomenko, Vsesoyouznij Gozoudarstvennij Institut Kinematografii (VGIK), Rússia/Russia.

 




Abertura do 16° Festival Brasileiro de Cinema Universitário em São Paulo
Thu, 4 aug





Mostra Homenagem Eduardo Santos Mendes
Thu, 4 aug





Premiados da Mostra Competitiva Nacional do 16° Festival Brasileiro de Cinema Universitário
Thu, 4 aug


Destaque em Construção Narrativa

Por perceber o espaço representado como elemento potencial de suas relações e por conseguir, dentro da tradição narrativa, estabelecer progressão e articulação dramática, premiamos o filme "Contagem", de Gabriel Martins e Maurílio Martins como Destaque em Construção Narrativa.


Destaque em Contribuição Artística

"Princesa", de Rafaela Diógenes, é simples e seria simplista, não fosse sua sensível abordagem da narrativa, um claro pensamento de imagens e a qualidade de sua atriz, conseguindo desdobrar a obviedade do tema e revelar sua singularidade. O júri premia o filme como Destaque em Contribuição Artística.


Destaque em Contribuição Técnica

O uso da película em filmes acadêmicos costuma resultar em falso compromisso com um certo padrão de qualidade, deixando de lado interesse na pesquisa e na linguagem. "Caos", de Fábio Baldo, se esquiva desse receio de experimentação com proposta e maturidade. Pela força de suas imagens, premiamos o filme como Destaque em Contribuição Técnica.


Destaque em Expressão Cultural

"Vuvuzelas de Madureira", de Vitor Medeiros constrói, de forma sutil e reflexiva, olhar desapegado e atento a um forte movimento cultural dentro de sua própria casa: o primeiro jogo do Brasil na Copa do Mundo de 2010. A clareza no assunto e o trabalho de montagem motivou o júri a premiá-lo por Destaque em Expressão Cultural.


Destaque em Expressão Poética

A aproximação com a performance e a constante ressignificação de seu plano-sequência dá a "Fui à Guerra e não te Chamei", de Leonardo Mouramateus, Roseane Morais e Luana Lacerda, um interesse especial por expandir as discussões da imagem do cinema e do corpo na arte. Por sua proposta ousada e por levá-la ao fim, o júri o premia como Destaque em Expressão Poética


Destaque em Pesquisa de Linguagem

As imagens partem do abstrato para o figurativo, enquanto o som faz o caminho oposto. Pela reflexão formal, o uso potencial de recursos mínimos, em um trajeto ao largo de convenções, premiamos "Vó Maria", de Tomás von der Osten, para Destaque em Pesquisa de Linguagem


Destaque em Retrato da Realidade Nacional

“Rotina Matinal”, de Daniel Donato  e “Decisão Real”, de André Senna.


Menção Honrosa

Pela simplicidade, qualidade e concisão na realização de sua proposta narrativa e formal, decidimos dar [Menção Honrosa] para "Monique ao Sol", de Wellington Sari.



Premiação do Projeto Sal Grosso

Acreditamos que um Festival Universitário deva valorizar projetos radicais, ousados e contundentes. Por isso, entre tantos projetos interessantes e possíveis, escolhemos aquele que constrói um narrativa potente e aposta em temas e personagens complexos e viscerais.

O Projeto Sal Grosso 2001 vai para o roteiro "Nós Parecíamos Gigantes", de Daila Pacheco, da Universidade Anhembi Morumbi.


Funções Técnicas Projeto Sal Grosso

A ECA/USP fará a fotografia;

A FAP fará o som e edição de som;

A UNISINOS fará a direção de arte;

A FAAP fará a edição.


Prêmio Voto de Público

 “Cores e Botas”, de Juliana Vicente.


Prêmio ABDeC-RJ

Prezando pelo minimalismo dos gestos, o filme parte de um argumento simples, que se extende ao sabor do encontro e da espera.


Filme

"Monique ao Sol", de Wellington Sari.


Jurados

Ana Alice de Moraes

Camilla Leal

Diego Bion


Prêmio Cachaça Cinema Clube


Melhor Filme de Animação

“Princesa”, de Rafaela Diógenes.


Melhor Filme Engajado

“A Greve”, de Mauricio Ramos Marques.


Melhor Filme de Mina

“A Decisão Real”, de André Senna.


Prêmio Porta Curtas

“Cores e Botas”, de Juliana Vicente e “Contagem”, de Gabriel Martins e Maurilio Martins.



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Fri, 29 jul





Sessão de abertura do 16º Festival Brasileiro de Cinema Universitário
Thu, 28 jul