![]() • MOSTRA HOMENAGEM A LUIZ SÉRGIO PERSON |
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PERSON, UM CINEASTA BRASILEIRO Talvez pelo sentimento de pertencermos a um grupo específico, um flerte com o egoísmo patriótico, transformamos muitas vezes em "nosso" o que poderíamos considerar de "todos". No cinema, arte contraditória, os ciclos regionais, os movimentos de invenção estética e o arriscado, mas necessário, comprometimento industrial de um tipo filme, muitas das vezes, contribuiu para que, somado a esse sentimento "nacionalista", alguns cineastas fossem posicionados distantes do espaço que está além do universo particular de criação e desenvolvimento próprio. Person, que marca definitivamente em 1965 o cenário cinematográfico brasileiro com a estréia de SÃO PAULO S/A, pertence a esse grupo. De formação européia e profundo admirador da chanchada carioca, dos filmes da Cinédia, de Oscarito, Grande Otelo, Violeta Ferraz e Dercy Gonçalves, destoou em seu filme da perspectiva temática cinemanovista, liderada pelos cineastas da Bahia e do Rio de Janeiro. Levou ao público um drama totalmente novo, a primeira experiência de captação dos problemas existenciais da classe média urbana. Inquieto e original, Person detonou em 1973, numa entrevista que deu ao Pasquim, uma reflexão conseqüente e explosiva sobre os rumos do cinema brasileiro. Saca, entre tantos outros argumentos, a seguinte declaração: "Em primeiro lugar, São Paulo S/A não é obra do Cinema Novo; segundo, não é contra o Cinema Novo; terceiro, é uma obra que precedo o Cinema Novo". Num ano que comemoramos 70 anos de Person, o 11º Festival Brasileiro de Cinema Universitário, numa atitude pioneira e corajosa, lança luz sobre a obra do cineasta ao homenageá-lo por meio de uma ampla mostra de filmes, depoimentos e debates. Pela primeira vez materiais inéditos, alguns raros e outros pouco vistos, nos possibilitarão um olhar mais apurado e contundente sobre a obra do "professor Person", um cineasta brasileiro. Tudo foi possível graças a generosidade típica de Person refletida na contribuição de Regina Jehá e Marina Person; ao entusiasmo de Candida Maria Monteiro, Hernani Heffner, Carlos Reichenbach e Sebastião de Souza e a paciência de Camila Avelino. ALEX ANDRADE |
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