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“O cinema norte-americano, o japonês e, em geral o europeu nunca foram subdesenvolvidos, ao passo que o hindu, o árabe ou o brasileiro nunca deixaram de ser. Em cinema o subdesenvolvimento não é uma etapa, um estágio, mas um estado: os filmes dos países desenvolvidos nunca passaram por essa situação, enquanto os outros tendem a se instalar nela. O cinema é incapaz de encontrar dentro de si próprio energias que lhe permitam escapar à condenação do subdesenvolvimento, mesmo quando uma conjuntura particularmente favorável suscita uma expansão na fabricação de filmes.”

Podemos aplicar as palavras do nosso homenageado Paulo Emílio Salles Gomes ao cinema universitário atual? Em matéria de esquema de produção, sim: é latente a diferença de condições – equipamentos, suportes, e principalmente orçamento - que as escolas de países desenvolvidos oferecem aos seus alunos, frente aos seus pares menos favorecidos. Condições essas que espelham os propósitos das instituições de ensino de cada país, seja pra fornecer mão-de-obra especializada para a industria audiovisual local, seja pra desenvolver cabeças-pensantes que desenvolvam e lutem por cinematografias incipientes ou quase inexistentes. O meio-termo disso é onde se insere a produção universitária brasileira, exposta nesses dez anos de Festival.

O propósito da Mostra Competitiva Internacional é exatamente esse, de situar a produção brasileira em relação à do resto do mundo, comparar, trocar, suscitar discussão. No ano que comemoramos nossa décima edição, pode-se dizer que a seção internacional do Festival já é exatamente o que se pretendia: um amplo painel da produção estrangeira, onde a cada ano são exibidos trabalhos das principais escolas de cinema do mundo. Felizmente já foi estabelecida uma relação amistosa entre o Festival e essas instituições de ensino, que nos mandam seus trabalhos para consideração e exibição. Prova disso são os mais de 400 filmes considerados para a seleção final, de onde tiramos os 34 que estarão competindo, de 29 escolas e 22 países diferentes.

Sobre a seleção, é peculiar como alguns trabalhos não conseguem esconder influências claras de cineastas em evidência. Somos brindados com situações que parecem ter saído de filmes de um Julio Medem, de uma Lucrecia Martel, um Darren Aronofsky. Até os mestres Godard e Welles são importunados, tudo em nome do bom cinema...

De resto, que comemoremos os nossos dez anos com nossos amigos e convidados estrangeiros. E que possamos refletir e (des)contextualizar as palavras de Paulo Emílio, quando diz que “não somos europeus nem americanos do norte, mas destituídos de cultura original, nada nos é estrangeiro, pois tudo o é. A penosa construção de nós mesmos se desenvolve na dialética rarefeita entre o não ser e o ser outro...”

 

“The North American, the Japanese, and the European cinemas have never in general been underdeveloped, to the step that the Hindu, the Arab or the Brazilian have never stopped being. Underdevelopment in Cinema is not a stage, a period of training, but a state: the films of the developed countries have never gone through this situation, while the others tend to install in it. The Cinema is incapable to find energies in itself which allows it to escape to the conviction of underdevelopment, even when a particularly favorable conjuncture permits an expansion in the manufacture of films.”

Can we apply the words of ours homaged Paulo Emilio Salles Gomes to the current film school Cinema? Talking of production conditions, yes: the difference is latent - equipment, supports, and mainly budget - which the schools of developed countries offer their pupils, compared to its less-favored pairs. Conditions that reflect the intentions of the tuition institutions of each country, either to supply specialized man-power the local audiovisual industry, either to develop thinking-heads that develop and fight for incipient or almost inexistent national cinematografies. Right in the middle of this it is where we find the Brazilian university production, displayed over these ten years of Festival.

The intention of International Competition is exactly this, to point out the Brazilian production in relation to of the rest of the world, to compare, to exchange, to promote discussion. In the year that we commemorate our tenth edition, we can say that the international section of the Festival is already exactly what it was intended to be: an ample panel of the foreign production, where to each year works from the main film schools around the world are shown. Fortunately we have already established a friendly relationship between the Festival and these institutions of education, which send their works for consideration and exhibition. This is proven by is the more than 400 films considered for the final selection, from where we took the 34 which will be competing, from 29 schools and 22 different countries.

About the selection, it’s peculiar that some works are unable to hide clear influences of filmmakers in evidence. We are brought to situations which seem to have been taken of films by Julio Medem, by Lucrecia Martel, Darren Aronofsky. Even masters like Godard and Welles they are bothered, all on behalf of the good cinema...

To conclude, let’s commemorate our ten years with our foreign friends and guests. And that we can reflect and put in (or out) of context the words of Paulo Emilio, when he says that “we are not European or North-Americans, but dismissed of original culture, nothing is foreign, since everything is. The hard construction of ourselves develops through the rarefied dialectic between the not being and the being another one...”


Júri

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