| Um
Festival em Duas Cidades
O Festival se passa em dois cenários.
Aquele, onde acontece: a revoada buliçosa
dos jovens realizadores, ansiosos de se
verem e aos outros, os entusiasmos, os sarcasmos
e os aplausos, os juízos abalizados
e as fofocas. Mas é onde se reflete
nas telas e telões o que, num ano,
se acumulou desta intensíssima produção
audiovisual universitária, em sua
independência, seu experimentalismo,
suas ousadias, revelações
ou ternuras, de todos os quadrantes, fruto
da persistência diante de condições
limitadas de realização.
Mas o outro cenário é o que
eu posso acompanhar mais de perto no dia-a-dia
do Curso de Cinema. Uma equipe, uns desde
o primeiro festival, outros mais novos,
compondo, num trabalho enorme, cada detalhe
desta obra. Recolher os filmes e vídeos,
conseguir recursos, convidar jurados e palestrantes,
conseguir recursos, preparar folders, cartazes,
catálogo, acertar projeções,
conseguir recursos, acumular apoios. Confesso
que este trabalho me apaixona e me comove,
porque é nele que se percebe boa
parte do que é o Cinema - aquela
outra cena, invisível ao espectador,
mas sem a qual as telas ficariam vazias.
Este ano, intensificamos o aporte da UFF,
onde tudo isto nasceu, reforçado
pelo decisivo apoio da Fundação
Euclides da Cunha. Ano em que a Secretaria
de Cultura de Niterói deu início
a uma aliança que mostrará
sua força plena nos próximos
anos. Assim, a UFF, a Prefeitura de Niterói
e o CCBB se juntam numa empreitada cujo
prêmio maior é o de demonstrar
a vitalidade destes jovens e a validade
das promessas de enraizamento do curta-metragem
como veio estratégico do Cinema Brasileiro.
Por isto, é com indiscutível
vaidade que saudamos o distinto público,
os participantes, mas acima de tudo a equipe
que imagina, encarna e respira os ares sempre
renovadores do audiovisual dos Cursos, Escolas
e Universidades deste país. Evoé
Festival Brasileiro de Cinema Universitário!
Antonio A. Serra
Professor do Departamento de Cinema &
Vídeo
Diretor do IACS-UFF
|